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segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

A Riqueza pela Pobreza

"Se pararmos de pensar nos pobres como vítimas ou como um fardo e começarmos a reconhecê-los como empreendedores incansáveis e criativos e consumidores conscientes de valor, um mundo totalmente novo de oportunidades se abrirá".

Assim introduz C.K. Prahalad em seu fantástico livro A Riqueza na Base da Pirâmide, o premiado estrategista abre nossos olhos neste trabalho para as estratégias de geração de renda e inclusão social focado nos grupos da base da pirâmide social. Mas afinal de contas, como gerar renda diante de pessoas que vivem com menos de 2 dolares por dia?

Para começar Prahalad sugeri a superação de certos pressupostos que estabelecem paradigmas na avaliação de mercados da base da pirâmide. A seguir listemos dois deles.

"Os pobres não são nossos consumidores alvo; eles não têm condições de adquirir nossos produtos e serviços"

Certo, como considerar um mercado compostos de famílias que vivem com menos de 2 dolares por dia? Vamos mudar o foco da pergunta, é possível considerar um mercado composto de milhões de famílias que vivem com menos de 2 dolares por dia? Tomemos a China como exemplo, a Índia, México e até mesmo o Brasil, se grosseiramente assumirmos que juntos temos 300 milhões de famílias na linha de pobreza, e assumirmos 2 dolares por dia a composição do poder de compra destas famílias, nossa matemática dará aproximadamente um poder de compra na ordem de 18 bilhões de dolares! E agora? Isso esta começando a soar melhor como um mercado?

"É do conhecimento geral a suposta dificuldade de acesso à distribuição nos mercados da base da pirâmide, o que representaria um imenso impedimento à participação de grandes empresas e corporações multinacionais."

Um outro conceito tratado pelo autor que cabe comentar é o Imposto da Pobreza. Segundo o autor em algumas comunidades de baixa renda na Índia as pessoas chegam a pagar até 25 vezes mais pelos mesmos serviços oferecidos em comunidades de alta renda. E isso não é um caso indiano, é universal, acompanha o mapa da pobreza por todo mundo, como isso é possível? Simples, monopólios locais, creditos vindouros de agiotagem, deficiente acesso a serviços básicos como abastacimento de água, energia elétrica, etc.

A simples inexistência de processos de negócio e canais de abastecimento dedicados a atender comunidades de baixa renda obriga a uma diferenciação de preços com o objetivo de adequar as margens de lucro aos custos originários dos inadequados processos e canais de distribuição utilizados pelas empresas para atingir estas comunidades. Atingir mercados da base da pirâmide significa desenvolver estratégias específicas e dedicadas para tal, nos remete a buscar uma maneira nova de pensar e romper certor pressupostos acerca tais mercados e como explora-los. A dificuldade de acesso dos canais tradicionais aos mercados da base da pirâmide em si representa um desses pressupostos. Um caso simples e local de superação desse pressuposto é a AVON no Brasil, que através de uma rede de consultoras e produtos de valores acessíveis atinge as mais remotas comunidades brasileiras permitindo a inclusão das mais diversas comunidades ao seu mercado de produtos.

Este post tem como objetivo introduzir o leitor nas idéias de Prahalad. Isso não terminará aqui, pretendo continuar este assunto e tratar de diversos outros aspectos relacionados a esta fantástica e emergente ideia.

Os venezuelanos mereciam era o SIM

E eis que o Caudilho sul americano se cala... ao menos "por enquanto"... repetindo suas próprias palavras. A vitória do não na Venezuela é uma vitória para a Democracia sul americana, mas a verdade é que os venezuelanos mereciam o SIM! Observemos os fatos, o movimento de oposição na venezuela é dividido, se absteve de sua representação legislativa e seu povo, utilizando de prática não muito diferente, com uma abstenção de quase 50% não comparece nas urnas. O referendo venezuelano do ponto de vista político, social e econômico representa um dos mais importantes marcos na vida do povo venezuelano, e o que vemos? Uma numerosa abstenção! Que é isso? Falta de engajamento político, desinteresse com o cotidiano político, descrença com a própria democracia e seus rumos? Não sei... mas esta situação tende apenas a conduzir a Venezuela ao ostracismo político e econômico no quadro internacional... e enquanto isso seu povo, ou a quase maioria deste, contenta-se em ser um agente passivo de uma série de decisões que queiram eles ou não influenciará para sempre suas gerações. É ... os venezuelanos mereciam o SIM, como resultado de sua passividade e sua falta de envolvimento político... povo de sorte.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Chavez e a Geladeira Diplomática

A nova onda Chavista é sua fantástica geladeira diplomática. A algumas semanas o embaixador da Venezuela na Espanha, o senhor Alfredo Toro Hardy, foi convidado pela secretaria de estado espanhol para a America Latina a se explicar acerca as declarações do mandatario venezuelano. A questão era simples! Que raios significa congelar as relações? A resposta... a inflamada declaração de congelamento "não acrescenta nada de novo na relação" !

Sinto que Chavez tem talento para pop star emergente! Daqueles que precisam o tempo todo popular os tabloides, revistas semanais e blogs de fofocas! Daquele tipo que não se sente por cima se não for notícia, a encarnação do ditado "fale mal mas fale de mim" ... Pobres Venezuelanos!

Brincadeiras a parte Chavez é um homem inteligente, sabe o que faz e o que não faz, sabe quando aparecer e desaparecer da mídia. Um grande ilusionista da política, enquanto você presta a atenção nos suaves movimentos da mão direita (creio que as duas mãos do filhote de Castro são de esquerda), uma reforma esta sendo preparada na mão esquerda. Suas proféticas palavras também não falham, como disse, ganhará o referendo e será acusado de fraude pela sua oposição! Porque seria diferente! A direita golpista esta o tempo todo pensando em mata-lo, derruba-lo...etc...etc...etc... até se abstiveram da representação legislativa (a oposição que todo mundo queria!)

Não vou me prolongar nestas idéias, poderia passar a noite conjecturando os próximos 5 anos do movimento POP da America Latina. Queria apenas deixar registrado o cômico caso da geladeira Chavista e o contraditório, porém esperado, comentário do embaixador Venezuelando na Espanha.

ReReReReReReeleição e a pureza Democrática

Dizem que reeleições indefinidas fere a intocável pureza democrática, mas porque? Não seria a reeleição a manifestação da vontade popular, e não seria tal manifestação algo... digamos... que podemos chamar de decisão democrática? Agora, o que tem de tão proibitivo em medidas como esta? Porque a mídia observa com tamanho temor a possibilidade de reeleições indefinidas na Venezuela? O fato é que a democracia não funciona, sejamos realistas, a vontade popular é frequentemente manipulada, os veículos de comunicação trabalham em função de algo, que algo? Não sei... depende da situação! O que o Chavez esta fazendo na Venezuela? Eis aqui uma situação! Usando e abusando do que tem de melhor a democracia (ou pior!), e juntando ao tradicional Populismo (não há nada de anti-democrático nisso!) temos a combinação perfeita de manipulação de massas, junto com o que existe de mais puro na democracia. Dizia Aristóteles que demokratia é o injusto governo governado por muitos, creio que, despercebidamente, este definiu melhor que ninguém o que é a democracia hoje.

Vamos remeter este papo para uma outra realidade. Enquanto na Venezuela vemos uma massa clamar pela aprovação de Chaves, observamos na França uma massa clamar pela desaprovação de Sarkozy, qual a diferença? Sarkozy percebeu a condição atual do sistema social democrático francês, e é realista quanto a importância de reformas neste sistema. Impopular, claro! E a massa? Insatisfeita, claro!

A percepção que devemos extrair aqui é que o coletivo não tem capacidade de decidir. A democracia é falha, em todos os lados! É falha quando permite que a massa seja utilizada para legitimar decisões autoritárias ou ideologicamente parciais, e é falha quando impede que ações reformistas necessárias possam ser aplicadas a uma nação. Então qual a solução... não sei... vamos observando mais um pouco...talvez em mais um século uma idéia boa apareça.