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sábado, 13 de dezembro de 2008

Cronica do Homem Sensível

Recentemente minha atenção voltou-se para uma questão que hoje considero fundamental, o Homem esta tornando-se o verdadeiro Sexo Frágil! Sei que esse assunto ja foi tratado inúmeras vezes em inúmeros outros blogs, mas finalmente encontrei um fundamento estatístico e inúmeros exemplos práticos que comprovam isso.

Tudo comecou no meu cotidiano trajeto São Paulo/Brasilia, abri uma daquelas revistas da Gol e me deparei com uma interessante reportagem que apresentava uma pesquisa da Rexona que tinha como objetivo principal traçar o perfil do Homem moderno. A pesquisa foi realizada pelo IBOPE e utilizou uma amostra de 300 Homens de 25 e 35 anos, de classes A,B e C, nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Recife. A pesquisa apresentou muitas dimesões deste Homem moderno mas o que me interessa debater aqui é a questão do relacionamento e as inversões de valores que aparentemente estão ocorrendo.

Continuando com os números, cuidaremos de primeiro entende-los antes de partir para a minha subjetiva compreenção dos fatos e observações da realidade. Bom para começar cerca de 90% concordam que a aparecia física e higiene pessoal esta diretamente relacionado a transmissão de uma imagem de sucesso. E isso sem dúvidas é um fenonimo que observamos claramente, afinal termos como metrossexual nao nascem aleatoriamente, a sensibilidade masculina para a vaidade pessoal é ano apos ano algo mais forte. Confirmo isso pessoalmente, eu antes e depois do meu antigo relacionamento, o meu eu 5 anos e meu eu hoje tratam a vaidade de maneira muito mais séria e presente.

A vaidade neste caso tem muitas formas, a vaidade alimentar por exemplo, ou a cultural, ter interesse em aspectos fora da esfera tradicional masculina de futebol e cerveja. Ou seja, cresce um Homem muito mais completo, muito mais interessante, contudo muito mais complexo e muito mais frágil e integrado com o sensível, e é justamente ai que reside o problema, quanto mais próximo do sensível, quanto mais capazes somos de perceber as coisas e se integrar a elas mais sensíveis nos tornamos e por seguinte frágeis. Talvez a matematica da fragilidade do homem moderno se equacione desta maneira, contudo são meras expressões sem sentido para tentar compreender este novo status-quo das relações do Homem com o que lhe rodeia.


Vamos falar das Mulheres e como este Homem moderno e sensível entende esta Mulher moderna mais autonoma e liberal. Cerca de 80% dos Homens acreditam que as mulheres serão muito mais liberais no futuro, enquanto que 88% gostariam que as mulheres levassem os relacionamentos mais a sério. O fato é que este Homem moderno no qual falamos é um Homem que procura um compromisso sério, é um Homem que é cobrado pelo meio social para que tenha sucesso profissional, que tenha uma boa aparencia, que seja inteligente mas contudo seus esforços frustam-se ao não encontrar em seu par um engajamento no namoro e no relacionamento estável. Venho observando isso com frequencia, namoros que terminam ou que nao seguem a diante apenas pela falta de compromisso em assumir um relacionamento, pela dificuldade do universo feminino em sair da condição de solteira. Recentemente acompanhei o caso de um grande amigo meu, que namorou por 2 anos uma garota enquanto cursava a faculdade de Veterinaria no Rio de Janeiro. Apos ele se formar a garota continuou a fazer o curso, precisava de mais dois anos para conclui-lo. Ela imediatamente terminou, de maneira fria. Não havia motivos claros que justificassem aquilo, aquela coisa de você é muito especial para mim, eu gosto muito de você, nos nos damos super certo juntos, nossos momentos são maravilhosos mais eu não quero namorar. Ao contrário disso parece mais interessante a condição solteira e livre de laços. Este caso é real (e não sou eu, embora eu tenha uma experiência muito semelhante), e eu poderia aqui citar diversos outros, e em todos eles estamos falando de Homens inteligentes, carinhosos, daquele tipo que você leitora poderia namorar sem perder sua identidade e autonomia.

A questão do compromisso e a capacidade de se comprometer julgo ter sido claramente abordada, agora penso no significado Mulher Liberal. Não me assusta a mulher liberal, ao menos no que compreendo ser liberal, ausencia de compromisso não é ser liberal, eu me considero liberal e ao mesmo tempo valorizo profundamente um relacionamento. Aquela coisa de ideal match ocorre a partir do momento que o casal passa a se compreender mutuamente, ter um profundo carinho e senso de respeito. Não acredito em paixões, isso não cabe na minha cabeça adulta e chata, além disso tem uma frase do Balzac citada no livro a Fisiologia do Casamento que diz, "A paixão de um Homem é proporcional a resistencia original da Mulher" e isso é a pura verdade. O que mantem uma relação são os 3 fatores que citei, porque, acreditem ou não, no final depois de anos e anos de relacionamento é aquilo que manterá o casal unido. Ser liberal portanto não significa deixa estes valores de lado e troca-los por relacionamentos superfíciais e descompromissados. Creio que o liberalismo pode ainda ser um elemeto gerador de compromisso e relacionamentos sérios e não o contrário, peguemos exemplos práticos, para mim não a nada de anormal um casal de namorados que têm os 3 fatores do ideal match começarem a morar juntos, dividir uma vida a dois. Isso é liberal, e ao mesmo tempo reflete uma atitude de extremo compromisso de ambas partes. O próprio sexo antes do casamento, que hoje é absolutamente normal (ao menos aonde eu vivo) reflete uma condição liberal de grande importancia e que mantem, sem duvidas nenhuma, uma chama de compromisso entre as duas partes, uma vez que o laco emocional existente entre duas pessoas se solidifica ainda mais com a presença do envolvimento sexual. Portanto, observando desta maneira, o liberalismo tem dimesões que podem efetivamente proporcionar relações mais compromissadas.

Um outro substantivo citado na pesquisa é a autonomia, a independencia, porque isso fragmentaria o desejo das Mulheres de se envolver mais em seus relacionamentos? Talvez medo de ter sua identidade invadida com significancias culturais estrageiras? Eu pessoalmente gosto que quem eu esteja namorando participe de minha vida, entre dentro de minha vida, mas isso não significa que esta pessoa tem que reconstruir sua identidade. O medo de ter sua identidade afetada, violada, seja o responsável por este comportamento, não sei, algo deste tipo é realmente complicado afirmar. A minha experiência diz que dividir um mesmo espaço leva o casal para um perigoso caminho, embora tal ato solidifique a relação e seja um claro pressagio de compromisso de ambas partes, este caminho pode levar a um verdadeiro caos nas identidades pessoais, o que pode seriamente prejudicar a relação, para pessoas que ja moram sozinhas, que são independentes esse fenonemo é mais intenso e sem dúvidas é alvo de maior temeridade.

A realidade é que este tema é confuso, e eu na condição de Homem confesso que a modernidade de fato nos deixou mais frágeis. Tentei avaliar esta pesquisa com uma visão imparcial, mesmo eu passando por experiências recentes que justificam muitas das concluisões apresentadas por esta. Se alguma mulher ler este artigo e repensar sua condição eu sinto que atingi meu objetivo, pode até pegar meu e-mail e me convidar para jantar (afinal se é autonoma e independente então pode convidar um Homem para jantar!)... e eu como Homem moderno e frágil sugiro até eu fazer o jantar ;) ... afinal a vaidade cultural tornou me um ótimo cozinheiro...


quinta-feira, 10 de julho de 2008

Contradições do Progresso

Não sou um Marxista convicto, minhas opiniões, na maioria do tempo, são as mais contraditórias possíveis, mas convenhamos o modelo produtivo capitalista atual é imperialista e fadada ao colapso, ou ao menos poderá ter longa vida ao custo da manutenção de um uma massa de famintos. A lógica é simples, contudo não seguirei pela lógica seguirei pelos fatos, que antecedem a lógica. Abra o caderno de economia do seu jornal favorito, uma nostálgica surpresa, a inflação cresce, renasce das cinzas de um temido passado econômico. A CNI (Conselho Nacional da Indústria) ajustou o índice de crescimento de 5% e alguma coisa para 4% e outra coisa, enquanto que o índice de inflação sobe de 4% e alguma coisa para 6% e alguma coisa, fora o grupo de consumo de energia, todos os outros sofreram algum nível de inflação superior ao período imediatamente anterior da análise. Dispensarei a referencia de fontes, vamos lá, peguem qualquer cadernos de economia desta semana! Notem que o grupo alimentar é onde residem as maiores pressões inflacionárias, a resposta do governo é simples, “Uma crise mundial de abastecimento de alimentos”, a resposta do mundo é mais simples ainda “São os Biocombustíveis”...


De certa forma não deixa de ser verdade que os biocombustíveis gerem uma pressão adicional na mecânica de oferta e procura dos alimentos, a lógica é simples, nos EUA grande parte da produção de milho esta sendo destinada para a produção de álcool, a fronteira agrícola destinada ao cultivo da cana de açúcar no Brasil cresce cada dia mais, enquanto as áreas destinadas ao consumo alimentício sofrem constante pressão da expansão da produção de cana e da crescente especulação imobiliária sobre as terras. Como já percebia David Ricardo a alguns séculos o alimento esta na base da estrutura econômica, esteja você no século XVII ou no maravilhoso século XXI, o custo sobre a terra aumenta o custo produtivo do alimento a margem de produtividade do alimento chega ao seu máximo quando somos obrigados a expandir o cultivos para áreas de baixa produtividade no solo, e o custo da terra sobe proporcionalmente com a demanda por terras cultiváveis. A crescente produção de alimentos para o abastecimento de máquinas concorre diretamente com o Homem, a carne encarece com o aumento de seu insumo principal, a ração. Não bastando temos ainda o petróleo, seus históricos preços atingem diretamente a cadeia logística de distribuição de alimentos, sim mais pressão sobre o custo dos alimentos, e não bastando ainda, todos esses alimentos são negociados em bolsas de mercados futuros onde encontramos quem!? O Especulador que depois de ter ganhado dinheiro especulando sobre o preço do petróleo, da terra ainda embolsa uma boa graninha especulando sobre o preço futuro da saca de arroz! Mas não acredito que os biocombustiveis são os vilões, seria como dizer que o especulador é o vilão, ou o clima da terra (que também gera pressão sobre a produtividade de alimentos). Para mim o verdadeiro vilão é o progresso!


O capitalismo mundial por mais de 4 décadas viveu sob a lógica onde alguns poucos países gozam das maravilhas da prosperidade enquanto outros sobrevivem. Este capitalismo é imperialista no sentido de se sustentar apenas sob esta lógica bipolar de explorador e explorado. Contudo a partir do meio da década de 90 os índices de crescimento dos chamados países subdesenvolvidos acentuou-se, ultrapassou os aglomerados desenvolvidos e a renda das populações dos aglomerados subdesenvolvidos aumentou! Isso é bom, sim, menos pessoas passando fome, maior qualidade de vida, tudo é muito bom, no entanto nosso modelo produtivo capitalista não foi feito para sustentar isso. A realidade é que com o aumento da renda de uma massa gigantesca de pessoas que a pouco passavam por condições de subnutrição (estamos falando de África, America Latina e Ásia, é muita gente!), a elasticidade da demanda sensível a este aumento de renda sobre o grupo de produtos alimentar mostrou sua força para o mundo. Uma demanda desproporcional atingiu em cheio o mercado de alimentos, as matérias primas encareceram, o combustível, tudo! O resultado disso é ações como a da Argentina que barrou suas exportações de trigo ou do Vietnã com seu arroz, a realidade é que a nosso cadeia de produção não foi feita para que nem a metade dos 6,5 bilhões de pessoas que caminham por este planeta vivam bem, o capitalismo é para uma elite, não uma elite social especificamente mas uma elite de países, quanto mais este modelo é democratizado mais o próprio capitalismo se autodestrói e destrói seu próprio meio. O mundo não suporta prosperar dentro deste modelo, nossos sistemas produtivos são sensíveis e nossa margem produtiva não suporta demanda tão crescente. Quanto mais democratizamos a prosperidade mais nos autodestruímos.


Não sou um profeta do apocalipse, e tão pouco um anti-capitalista, acho o capitalismo um sistema produtivo fantástico, contudo vejo que o mundo precisa se voltar para uma nova educação cultural. O modelo cultural baseado em símbolos de consumo não pode continuar, a cultura tem que ser a arma para a criação de uma geração de novos consumidores fundamentados em necessidades autenticamente utilitárias e valores sustentáveis. É impressionante como banalizamos o consumo de alimentos, de papel, do plástico, da água, etc. Acredito em um modelo capitalista sustentável, fundamentado na sustentabilidade regional como força antagônica aos meios de produção e distribuição globais. Não dispenso os grupos transnacionais, muito pelo contrário, oferecem importante escala e produtividade, contudo a produção regional permite a geração de renda localizada, e a sustentabilidade da cadeia de produção. Ao aproximarmos produtor e consumidor reduzimos as energias gasta com transporte, empacotamento, embalagens, etc, etc, etc... simplificamos a produção, distribuição e consumo, caracterizamos culturalmente um produto, fortalecemos a identidade e a renda regional. Acredito até mesmo que os próprios grupos transnacionais poderiam ter importante participação nesta idéia ao utilizarem a capacidade produtiva regional dentro de sua cadeia de produção. O capitalismo precisa de nossa ajuda, isto é fato, a democratização da prosperidade dentro deste modelo é inviável, e a cultura é a nossa grande arma para a mudança dos valores atualmente vigentes, pensemos a respeito disto.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

O Nascimento da Sociologia dentro da Administração.

A Sociologia tem como objeto de estudo as relações humanas dentro de sua coletividade, sua origem nos remete a um período de grandes transformações sociais,econômicas e culturais no século XVIII e XIX. O continente europeu, diante de profundas transformações conduzidas pelas revoluções Industrial e Francesa
mergulhava em condições sub humanas, seja de caráter exploratório movido pelas novas formas de produção conseqüente da Revolução Industrial ou de condições precárias de vida conseqüente da crescente e descontrolada população urbana, segundo GIDDENS,

“A sociologia surgiu quando aqueles que se viram envolvidos na série inicial de
mudanças ocasionadas pelas “duas grandes” revoluções que tiveram lugar em solo
europeu buscaram compreender as condições de sua emergência e suas prováveis
conseqüências” [1].

Neste sentido a Sociologia nasce como ciência para o estudo dos sistemas sociais humanos, seus fenômenos, transformações e as diversas relações sistemáticas dos agentes e grupos pertencentes ao sistema social.

Nossa sociedade é dividida em agrupamentos sociais orientados a objetivos ou funções, tal agrupamento social dividido diante de propósitos é conhecido como organização. Toda nossa sociedade é sustentada pela existência de organizações, onde estas atuam em diversos setores e fornecem os mais diversos serviços e produtos. De maneira geral podemos, portanto, afirmar que as organizações representam a maneira pela qual o ser humano resolve os problemas e atende as necessidades sociais de forma coletiva. A Administração, como Ciência, esta intimamente ligada a Sociologia uma vez que a aplicação das práticas administrativas objetiva viabilizar um eficiente e eficaz funcionamento das organizações sociais Embora claramente perceptível o forte relação entre as duas Ciências, seu consciente relacionamento não acompanha a origem da Administração. Dentro da visão das teorias clássicas da Administração a organização é tida como uma estrutura mecânica e o ser humano uma mera peça da engrenarem industrial. Nas abordagens estruturalistas de Fayol e Weber observamos uma forte atenção ao processo e a estrutura da organização, e observamos uma visão onde o Homem é plenamente submisso a esta estrutura respondendo de maneira rígida as regras e normas.

Com a percepção da existência de complexas relações informais dentro da rígida relação formal definida pelo modelo burocrático, inicio-se o processo de convergência entre a Administração e a Sociologia. A partir deste ponto é apontada a complexidade do relacionamento humano dentro do meio coletivo, e a influência direta de tais relacionamentos sobre sua capacidade produtiva. Podemos apontar como um marco o trabalho de Elton Mayo na famosa experiência de Hawthorne[2], onde uma experiência que procurava validar a influencia de fatores ambientais de iluminação na produtividade dos trabalhadores, acabou por apontar uma complexa relação de formação de organizações informais, dotadas de valor, regras e liderança própria.

A partir da abordagem iniciada pelos teóricos da Teoria das Relações Humanas da Administração, percebemos a importância dada a teoria das organizações como ferramenta para o trabalho do Administrador. A visão de uma estrutura meramente hierarquizada, rígida e de clara normatização é substituída por uma visão dinâmica e de orientação muito mais centrada no principal agente da organização, o ser humano. Desta forma observamos a fundamental apoio da Sociologia como ferramenta para estudo das organizações sejam estas formais ou informais, de maneira que ambas possam se alinhar diante de objetivos comuns e mantenham uma forte relação cooperativista.


[1] - GIDDENS, Anthony. Em Defesa da Sociologia: Ensaios, interpretações e
tréplicas. São Paulo, Unesp, 2001.

[2] - MAYO, Elton. The Human Problems of Industrial Civilization. New York:
Macmillan, 1933.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

O Homem Organizacional e a Organização

A administração, na construção da sua visão do Homem, submete este a sua experiência social na construção do conceito de Homem Organizacional. Nas palavras de CHIAVENATO, o Homem Organizacional é fundamentado nos seguintes princípios:
  • o homem é submisso à organização;
  • o homem participa de várias organizações, passando a depender delas para nascer, viver e morrer;
  • o homem deve se adaptar à organização para sobreviver;
  • o desejo de obter recompensas materiais e sociais faz com que o indivíduo desempenhe vários papéis sociais no trabalho;
  • o homem organizacional é flexível, resistente à frustração, capaz de adiar recompensas e o desejo permanente de realização.
Qual é o limite a relação entre a estrutura organizacional cultural e produtividade da empresa? Ou seja, até que momento o modelo social cultural será mantido ao custo de uma performance indesejada? Perguntas como esta nos remete a um profundo questionamento acerca a teoria apresentada por Collins e Porras em Building your Company's Vision e que nos permite entender como estabelecer as bases culturais que se submeterá o Homem Organizacional.

A construção da Base Estratégica Corporativa, na visão destes autores, fundamenta-se na definição de dois elementos essenciais na construção do alicerce na qual será construída a cultura organizacional. De um lado temos os Core Value e Core Purpose, representando a parte estática da base estratégica, e do outro a Envisioned Future representando a aspecto dinâmico, ou seja mutável com o tempo. Focaremos no aspecto estático, também chamado de Core Ideoligy.

Na construção da base estratégica será definida a razão de ser da organização e seu conjunto de valores e princípios. Considerando o caráter estático destes fragmentos culturais, como considera-los diante das fortes transformações sociais e culturais do ambiente? Na dimensão operacional e estratégica as transformações são absorvidas por uma série de técnicas que buscam viabilizar a definição e melhoria rápida dos processos de negocio das organizações. No entanto tais transformações são voltadas principalmente para os aspectos que afetam, direta ou indiretamente, o mercado da organização. O que fazer com transformações acentuadas na estrutura social e cultural do ambiente que se chocam com a ideologia central da organizal? É importante perceber neste ponto que os impactos de tais transformações na estrutura de mercado não é o foco deste debate, uma vez que tais transformações são tratadas pela redefinição estratégica da organização. Por outro lado, o que fazer quando esta base estratégica estiver em sentido oposto às transformações na estrutura social cultural do ambiente da organização?

Seria o Homem um ser organizacional submetido totalmente a estrutura social cultural de sua empresa a ponto de ser obrigado a se opor aos valores de seus grupos sociais primários? Como conciliar esta visão diante de um mundo de transformações instantâneas e diferenças culturais marcantes? Empresas se projetam mundialmente, ultrapassam diversas fronteiras culturais, e mesmo assim fundamentam se dentro de uma única base de valores e princípios? Seria ético manter uma estrutura social cultura na contra-mão da sociedade regional com o objetivo de maximizar lucros e realizar metas estratégicas?

Se um dia o desafio foi o rápido fluxo de capitais, mudanças tecnológicas, migração de mão de obra e transformações no mercado, o que fazer diante de um mundo pequeno com valores tão diferentes e com transformações sociais e culturais cada vez mais rápidas?! Pode ainda alguma coisa numa organização ser estática?


segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

A Riqueza pela Pobreza

"Se pararmos de pensar nos pobres como vítimas ou como um fardo e começarmos a reconhecê-los como empreendedores incansáveis e criativos e consumidores conscientes de valor, um mundo totalmente novo de oportunidades se abrirá".

Assim introduz C.K. Prahalad em seu fantástico livro A Riqueza na Base da Pirâmide, o premiado estrategista abre nossos olhos neste trabalho para as estratégias de geração de renda e inclusão social focado nos grupos da base da pirâmide social. Mas afinal de contas, como gerar renda diante de pessoas que vivem com menos de 2 dolares por dia?

Para começar Prahalad sugeri a superação de certos pressupostos que estabelecem paradigmas na avaliação de mercados da base da pirâmide. A seguir listemos dois deles.

"Os pobres não são nossos consumidores alvo; eles não têm condições de adquirir nossos produtos e serviços"

Certo, como considerar um mercado compostos de famílias que vivem com menos de 2 dolares por dia? Vamos mudar o foco da pergunta, é possível considerar um mercado composto de milhões de famílias que vivem com menos de 2 dolares por dia? Tomemos a China como exemplo, a Índia, México e até mesmo o Brasil, se grosseiramente assumirmos que juntos temos 300 milhões de famílias na linha de pobreza, e assumirmos 2 dolares por dia a composição do poder de compra destas famílias, nossa matemática dará aproximadamente um poder de compra na ordem de 18 bilhões de dolares! E agora? Isso esta começando a soar melhor como um mercado?

"É do conhecimento geral a suposta dificuldade de acesso à distribuição nos mercados da base da pirâmide, o que representaria um imenso impedimento à participação de grandes empresas e corporações multinacionais."

Um outro conceito tratado pelo autor que cabe comentar é o Imposto da Pobreza. Segundo o autor em algumas comunidades de baixa renda na Índia as pessoas chegam a pagar até 25 vezes mais pelos mesmos serviços oferecidos em comunidades de alta renda. E isso não é um caso indiano, é universal, acompanha o mapa da pobreza por todo mundo, como isso é possível? Simples, monopólios locais, creditos vindouros de agiotagem, deficiente acesso a serviços básicos como abastacimento de água, energia elétrica, etc.

A simples inexistência de processos de negócio e canais de abastecimento dedicados a atender comunidades de baixa renda obriga a uma diferenciação de preços com o objetivo de adequar as margens de lucro aos custos originários dos inadequados processos e canais de distribuição utilizados pelas empresas para atingir estas comunidades. Atingir mercados da base da pirâmide significa desenvolver estratégias específicas e dedicadas para tal, nos remete a buscar uma maneira nova de pensar e romper certor pressupostos acerca tais mercados e como explora-los. A dificuldade de acesso dos canais tradicionais aos mercados da base da pirâmide em si representa um desses pressupostos. Um caso simples e local de superação desse pressuposto é a AVON no Brasil, que através de uma rede de consultoras e produtos de valores acessíveis atinge as mais remotas comunidades brasileiras permitindo a inclusão das mais diversas comunidades ao seu mercado de produtos.

Este post tem como objetivo introduzir o leitor nas idéias de Prahalad. Isso não terminará aqui, pretendo continuar este assunto e tratar de diversos outros aspectos relacionados a esta fantástica e emergente ideia.

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

O Mercado de Luxo no Brasil

De Maria Antonieta à expressão social burguesa pós revolução industrial. Da abertura dos portos à gloriosa Daslu e suas 60 e tantas marcas internacionais. Esse é o crescente mercado de luxo que nos últimos 5 anos cresceu 33% no Brasil e que ao mesmo tempo proporciona a este país o consumo de 70% do mercado de luxo na America Latina. Este tema é muito bem tratado numa visão antropológica e sociológica no artigo Dar-se ao luxo é um luxo, da Revista Pesquisa Fapesp publicada em Agosto de 2007 e assinada por Carlos Haag.